Simples Nacional ou Lucro Presumido, quando vale trocar
Simples nem sempre é mais barato. Em empresa de serviço com folha pequena e faturamento alto, a conta costuma virar.
Simples Nacional tem esse nome pela burocracia, não pelo valor. Existe uma faixa em que o Lucro Presumido sai mais barato, e ela é mais comum do que parece.
Como o Lucro Presumido funciona
A Receita presume um lucro sobre o faturamento e cobra imposto em cima dessa presunção, sem olhar o lucro real.
Para serviços em geral, a presunção é de 32% da receita. Para comércio, 8%.
Sobre essa base incidem:
- IRPJ de 15%, mais adicional de 10% sobre o que passar de R$ 20 mil de lucro presumido por mês
- CSLL de 9%
E sobre o faturamento bruto, separado:
- PIS de 0,65%
- COFINS de 3%
- ISS do município, entre 2% e 5%
Fora isso vem o INSS patronal de 20% sobre a folha, que no Simples está embutido no DAS.
Onde a conta vira
Empresa de serviço que fatura alto e tem folha pequena é a candidata clássica. No Simples ela cai no Anexo V, que começa em 15,5% e sobe rápido. No Lucro Presumido a soma de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e ISS fica perto de 13,33% mais o ISS, e o INSS patronal pesa pouco porque a folha é pequena.
O contrário também é verdade. Empresa com folha grande costuma ficar melhor no Simples, porque o INSS patronal de 20% no Presumido come a diferença.
Os limites
O Simples vai até R$ 4,8 milhões de receita bruta em 12 meses. Existe um sublimite de R$ 3,6 milhões para ICMS e ISS, e passar dele obriga a recolher esses dois fora do DAS mesmo continuando no Simples.
O Lucro Presumido vai até R$ 78 milhões. Acima disso, só Lucro Real.
Quando dá para mudar
A opção pelo regime é anual e se manifesta no primeiro recolhimento do ano. Na prática, a decisão precisa estar tomada em janeiro, com base no fechamento do ano anterior.
Mudar no meio do ano não dá, salvo em caso de exclusão por ultrapassar limite ou por débito.
O que a gente faz
A conta comparativa dos dois regimes com os números reais dos seus últimos 12 meses, entregue por escrito, com a projeção do ano seguinte nos dois cenários.
É a mesma conta do diagnóstico gratuito, e é onde aparece a maior parte do dinheiro que a gente encontra em empresa que nunca revisou o enquadramento.
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